Um olhar sobre uma Páscoa há meio século atraz.

A Páscoa começava logo no «Sábado de Aléluia», talvez que muitos ja não se lembrem,mas nos anos 50 ,os sinos tocavam a repique pelas 10 horas da manhã, os homens que estavam a trabalhar nos campos imterrompiam as suas tarefas, tiravam o chapéu,o boné ou o barrete e oravam em solêncio.
Muitos deles os que tinham mais posses,até levavam foguetes que largavam assim que o sino da Aldeia começava a tocar.
Era sem dúvida um espectáculo impressionante,ver onde se encontravam homens a trabalhar,pois o acidentado relevo das paisagens nao permitia horizontes largos,como é o caso do Alentejo.
Na aldeia  ao toque do sino, as Mulheres dirijiam-se á Capela e  «descobriam» os «Santinhos».
Sim descobriam,porque todas as imagens e crucifixos eram tapados  com panos roxos  a partir de «quarta-feira de cinzas».
A Capela começa então a ser enfeitada para a Missa do Domingo de Páscoa.Enquanto algumas Mulheres espalhavam murta e rosmaninho no adro ,outras iam procurar as flores brancas para colocar no altar.
O Altar Mor, invariávelmente era ormanentado com jarros brancos e suas folhas verdes, nos Altares laterais eram rosas brancas,margaridas e até flores campestres,tais como as flor de pilriteiro, que exalavam um perfume que inundava toda a Capela.
A Missa de Domingo era das mais participadas do ano,só tendo comparação com o Dia de Todos os Santos e o Dia de Natal.
Neste Domingo,era normalmente o dia da 1ª comunhão das crianças que andavam na catequese, sendo dado uma atenção especial a toda a criançada em idade escolar, com um «bodo» na Colectividade da Aldeia , a «União Camponesa», que ainda hoje existe e com muita pujança.
No final deste «bodo», eram apresentados em público  os três melhores alunos de cada
classe sendo-lhs atribuídos  os titulos de «Capitão», «Tenente» e «Alferes», motivo para que os familiares e amigos respectivos ficassem muito orgulhosos dos seu Meninos.
Como a comida , os bolos e o arroz-doce eram feitos com muita fartura, no final tudo era distribuido pelas familias mais carenciadas.
Em todas as casas se fazia um almoço melhorado,sendo que as familias mais abastadas,matavam sempre o galo maior que tinham na capoeira,decorrendo deste costume o provérbio que se usava por aquelas bandas  quando se ouvia um galo cantar,logo havia quem dissesse ,…«escapaste do Entrudo,mas da Páscoa não passarás».

Foi o meu olhar sobre uma Páscoa ha meio século atraz.
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Uma resposta a Um olhar sobre uma Páscoa há meio século atraz.

  1. ada diz:

    …em vão se olha atras…o passado esta lá…fez.nos ser como somos…..mas irremediavelmente perdido nas brumas da memoria…
     
    a´páscoa da minha aldeia era a festa de rua..as campainhas que anunciavam a "cruz" que entrava em cada casa esperando o beijo de cada um na roda que a familia fazia…
     
    depois os folares…ai os folares da minha infãncia…em vão os compro no mercado da esquina da rua onde vivo…em vão amasso farinha, no mesmo peso e percentagem… os meus folares são de mim o meu tempo de menina…e nao podem mesmo voltar…
     
    a páscoa da minha aldeia nao se pode contar…porque as emoçoes nao se traduzem…habitam-nos  sem  escoarem de nós…
    …mas tenho saudades da minha páscoa…saudades de mim…
     
    z

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